sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Ryan Hreljac - Notícia de Um Mundo Bem Melhor


Muitas histórias semelhantes a esta estão ocorendo em toda parte do mundo, e aqui mesmo no Brasil.  Emociona-nos, modificam o meio, a humanidade cresce com elas.

Ryan Hreljac nasceu no Canadá, em maio de 1991.

Quando pequeno, na escola, com apenas seis anos, sua professora lhes falou sobre como viviam as crianças na África.

Profundamente comovido ao saber que algumas até morrem de sede, sendo que para ele próprio bastava ir a uma torneira e ter água limpa.

Ryan perguntou a professora quanto custaria para levar água para a Africa, e a professora lembrou que havia uma organização chamada "WaterCan", que poderia fazer poços custando cerca de 70 dólares.

Quando chegou em casa, foi direto a sua mãe Susan e lhe disse que necessitava de 70 dólares para comprar um poço para as crianças africanas. Sua mãe disse que ele deveria conseguir o dinheiro pelo seu esforço, e deu-lhe tarefas em casa com as quais Ryan ganhava alguns dólares por semana.

Finalmente reuniu os 70 dólares e foi para a "WaterCan". Quando atenderam, disseram-lhe que o custo real da perfuração de um poço era de 2.000 dólares.. Susan deixou claro que ela não poderia lhe dar todo esse dinheiro, mas Ryan não se rendeu e prometeu que voltaria com os 2.000.

Passou a realizar tarefas na vizinhança e acumulando dinheiro, o que contagiou seus irmãos, vizinhos e amigos, que puseram-se a ajudar. Até reunir o dinheiro necessário. E em janeiro de 1999 foi perfurado um poço numa vila ao norte de Uganda.

Quando o poço ficou pronto, a escola de Ryan começou a se corresponder com a escola que ficava ao lado do poço. Assim Ryan conheceu Akana: um jovem que lutava para estudar a cada dia. Ryan cativado, pediu aos pais para viajar para conhecer Akana. Em 2000, chegou ao povoado, e foi recebido por centenas de pessoas que formavam um corredor e gritavam seu nome.
- Sabem meu nome? - Ryan surpreso pergunta ao guia.
- Todo mundo que vive 100 quilômetros ao redor sabe. respondeu.


Hoje, Ryan, com quase 23 anos, tem sua própria fundação e já levou mais de 400 poços para a Africa. Encarrega-se também de proporcionar educação e de ensinar aos nativos a cuidar dos poços e da água.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ó Terra Querida / Oh Mundo Velho Sem Porteira




A primeira vez que me entendi enquanto jundiaiense, deu-se quando meus primos de São Paulo ao nos visitarem, foram recebidos por mim com um "ó". Riram de mim dizendo "É assim como os caipiras daqui se cumprimentam?" Eu deveria ter uns oito ou nove anos de idade e me lembro responder-lhes:
- Caipira? O "ó" é muito mais bonito que "oi" ou "ôba", "êba" que vocês dizem.
- Nós dizemos "olá" quando encontramos as pessoas. Justificaram eles.
Nisto chegou meu pai, e eles o cumprimentaram:
- Oi tio... a bênção.
Nada mais eu disse. Ria ria ria... A prima ficou vermelha como um pimentão.

Meu tio Domingos foi em socorro dos filhos e, virando-se pra mim, repreendeu-me:
- Você nasceu eu São Paulo, deveria falar como alguém da capital
- Se for assim, prefiro ser jundiaiense.
Como meu tio ficou sem resposta, meu pai desconversou o assunto perguntando do porque da não vinda da irmã dele, minha tia Elídea.

Eles não machucaram meus sentimentos em relação à cidade de Jundiaí, mas passei a ver minha cidade natal um pouco mais distante. Hoje já não tenho ilusões, cá ou lá, tudo se confunde, tudo é uma só geleia geral.

Por aqui, p.ex.,dificilmente se ouve o "ó", o que é de fazer dó, que pena. O "ó" é aberto, sonoro, exclamativo, expansivo, exprime estado de espírito alegre, contagioso, aprazível, e infinitamente mais ben-vindo que os fechados "oi" ou "ôba" de cumprimento pró forma, de acesso interditado. O "ó" é oh, bonito, poético, sonhador.

E desuso do "ó" reflete a insensibilidade de hoje para com o sonho de cidades brasileiras mais justas. Perde-se cada vez mais e mais a identidade das cidades, dos estados e da nação. Vivemos num ano eleitoral. A pobreza dos candidatos é, mais uma vez, acachapante. Ainda que desta vez tenhamos uma escolha real, é preciso saber se, de fato, será possível governar.

Ó Terra Querida
Oh Mundo Sem Porteira


JRToffanetto

Mendelssohn - Violin Concerto in E minor, Op. 64



Fanny com felix

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Stevie Ray Vaughan - Say What !


 
http://www.hossedia.com/2011/12/stevies-town/

Amédée-Ernest Chausson - Poeme for Violin and Orchestra, Op. 25




Eterno verão


O poeta tem
uma cigarra dentro do peito.
Para aquela cigarra
o verão é permanente.

"Se assim é para a cigarra, também o será para o poeta, do contrário, todos nós não o seríamos. Às vezes a cigarra vai embora, e quando, poeta é aquele que ao vê-la (sentir) do lado de fora a tem novamente dentro, e vice-versa/versar (universar)."  Foi o  que escrevi quando a Regina achou um rascunho escrito a lápis num quadradinho de papel e o colocou junto a mim, ao lado do "note".

O texto escrito na imagem acima é como um haicai, ou pelo que entendo como haicai, isto é, quando nele,  enquanto composição, nada mais cabe e para que todas as possíveis imagens possam ser sentidas por aqueles que com ele entrem em contato.

Talvez seja por isto que não me ocorreu escrever outro. Enfim, somos a Poesia, a Poesia Maior. Um dia estes lampejos se tornarão um sol. Deixaremos o eclipse se... dele, já agora,  por conduta filosófica, procuramos sair para a Luz. Se nele, já agora, a cigarra vem cantar dentro.

JRToffanetto