terça-feira, 23 de agosto de 2016

Chácara Urbana (Jdí/SP) em Quatro Momentos

Em 23.06.2016., com M.a Regina
O céu azul está em todo lugar e ao infinito, mesmo depois da densa camada de nuvens cada vez mais escuras que recobre o planeta. Além do mais turvo céu do interior (self) da humanidade.




domingo, 21 de agosto de 2016

Abstracionando a Fotografia _JRToffanetto/Tábula Rasa _Arvo Pärt

A música Tábula Rasa de Arvo Pärt me inspirou reunir algumas das minhas fotografias de rua editadas por mim até à abstração mais possível, dando costura, sentido, à exposição delas neste vídeo do YouTube. Talvez eu ainda possa melhorar a seqüência. O que eu não poderia imaginar era fazer parceria com Arvo Pärt, ao qual rendo homenagem, assim como a Alvin Lucier em "Sperandeus". As possibilidades criativas no mundo da Web me encantam. Sinto-me privilegiado por interagir com este universo abstrato porque virtual. Há vinte anos que o mundo não é mais o mesmo, e há muito que fazer, em todas as áreas, para o tornar muito melhor. Conhecer, sentir a sublimidade da obra destes artistas estão nesta razão. (JRToffanetto)




Duas irmãs pulando o muro




Na rua da minha casa, finzinho do inverno, diariamente tenho visto a beleza saindo pra rua por cima do muro de duas casas vizinhas. Vizinhas aperaltadas esticando seus braços pra calçada com flores nas mãos.

Encantadoras em sua pureza, formas e cores, vestem-se da luz do sol, da claridade da nudez, da perfeição. O sorriso da manhãzinha é delas. Na doce linguagem do sentir são conversadeiras. 

O ano todo as vejo pulando o muro, mas... hoje... seus braços não se esticavam para a calçada, e a rua ficou sem o vestido roxo de uma e vermelho da outra. 

Mas eu sei, as irmãs da Poesia ainda estavam lá, ao lado de suas flores coração socadas num saco preto. 

Voltarão com a primavera. Mais uma vez pularão o muro com flores nas mãos. São muito sapecas as irmãs azaléas.

JRToffanetto

sábado, 20 de agosto de 2016

177 anos da fotografia ou de fotógrafos?




177 anos da fotografia ou de fotógrafos?

Poemas são imagens do sentir, documentos animados da alma  humana, depois veio a fotografia congelar instantâneos da alma à flor da pele como um espelho irretocável dela. Seguiu-se o “fotoshop” daquilo que começou em preto e branco, e o rente à pele nunca mais foi o mesmo, perdeu eternidade, virtualizou-se, deixou de ser fotopoema, virou comportamento de mídia, febre do modismo.

A fotografia não morreu porque fotógrafos ainda estão por aí. Dela fazem arte enquanto documento de reflexão para além do fotojornalismo, e mesmo grafando o efêmero, o relativo. Reportam, sobretudo, o caminhar da humanidade em ilusões de toda ordem. Abrem espaço para o que não havia algum, mas que lá está dúvidas ou incertezas, a verdade dos fatos e da mentira, e também do ideal para quem tem olhos para ver. Enfim, nunca a criatividade esteve tão em alta, a arte enquanto fotografia.

Num bater de olhos revelam o hoje como presente doce ou amargo. Captam o denso e o vazio. Registram nosso entusiasmo para com a vida. Documentam emoções, das mais singelas às sofisticadas.  Revelam-nos o estado evolucional da humanidade e aonde ela poderia chegar ou deveria ser. Nada escapa das lentes fotográficas, da sensibilidade do um clict sensível, que jamais se repetirá com o mesmo grau de intensidade emocional, atravessando o bidimensional, trazendo-nos o grau a verdade do retratado e do grito dos detalhes, dos significados no aparentemente velado aos olhos e que nossa mente decodifica ao longo.

Talvez eu devesse continuar grafando estes sentimentos para com a fotografia, qual um poema, mas neste instantâneo do sentir, estou aqui para dizer que ontem se comemorou o dia mundial da fotografia, mas ontem,  hoje e amanhã é dia do fotógrafo. E se todo homem é poeta, agora também é fotógrafo. O mundo abstrato chegou para ficar, mas a arte criativa não o costura, dá o tom. É tempo de se voltar para a filosofia porque nela está a Poesia, o resto decorre, assim como a fotografia.

Bem, depois, se julgar necessário, volto para o laboratório fotográfico e corrijo ou retoco estes textos, reedito estas impressão de imagens, destes instantâneos, destas fotos.

JRToffanetto


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Na Terra do Céu

FotoJRToffanetto
em 22/09/2014,
Rua dos Otonis/SP



Na Terra do Céu

Domingo à tarde, bons ares. 
A cidade descansada, limpa,
ama o Amor

Flores integradas em si, ao meio, ao Todo, 

brindam a primavera em véspera,
fosse ao sol, ao frio, à chuva.

Pétalas lábios / olhos úmidos

Beijo molhado /Selo Eterno
Chão da Terra / pele asfáltica

Louca Paulicéia, efêmeridade.
Quem o beijo viu a cidade sentiu.
Também beijou os pés do altar.

Altar do sempiterno

Céu na Terra,
Terra do Céu...

JRToffanetto

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bar Recanto Novo - Crônica (Parte 1)


Bar Recanto Novo
(Parte 1) 

Recanto significa canto afastado, retirado, menos à vista, esconderijo, e daí o fato dos botecos serem, quase todos, mau iluminados, cheirando à llingüiça, ovos cozidos, torresmo e  a... azedo do  indefectível mictório.

Lugar da pinga, da “mardita” com a qual muitos “matam o bicho” e todas as coisas que o comum dos mortais não consegue lidar, a começar consigo próprios.

Se você passa por uma porta aberta de um salão escuro, sem nome de identificação, e se depara com um cachorro coçando pulgas sob a soleira de entrada, pode identificar como um destes  “esconderijos” de pequenos e grandes pecados. Suas vistas precisarão se acostumar com o breu para ver o que ali se encontra.

Encostado ao balcão, alguém resmunga ao outro o seu mal-estar para com a vida. Dize-o sob a profundidade do palco de luz bruxuleante, e se der bobeira, é provável que te convide para “tomar uma”, beber do mesmo  fogo. A tirar por que o ouve, imagine-se com cara de cachorrão e de olhos mortiços qual o de sardinha frita.

Do outro lado do balcão, não será difícil ver aquele que, num extremo de delicadeza, nem tira o palito de dente do canto da boca ao bebericar a “branquinha”, a maldita. Depois se arrepia todo. A culpa é dela, né?!, deve ser, e depois joga no chão um pouco do aguardente para o santo. Pra quem tiver curiosidade para saber do santo protetor destes, basta imaginar.

De repente um gigante toma conta da porta de entrada e o boteco fica ainda mais escuro. Quem salivava a pinga dentro da boca não ousa engoli-la. Só se vê o branco de olhos sobressaltados. Econômico nas palavras, o brutamonte não faz questão de saudar seus comparsas da “aguardência”. No lugar de “bom dia”, apenas diz a última sílaba “dia”, seca, entre os dentes escuros, avisando que apenas está marcando presença, e que veio pra beber não pra conversar.

O mais fraquinho dos convivas, um magrinho cozido pela pinga, e com a barriga pronunciando cerveja, reverencia o grandão com a cabeça, mas no canto da boca e nos olhos emendados à sobrancelha, sorri com mil demônios, os ditos cujos a quem chamam de santo. E assim ele responde o cumprimento:
- Diabão (leia-se dia bom), mas não se engane, é mesmo o “coisa-ruim”.


Outro dia eu continuo esta crônica, a Parte 2.