sábado, 4 de setembro de 2010

Cadê a Serra do Japi?


Última semana de agosto. Sol do meio dia. Ao atravessar o viaduto que liga o Bairro da Ponte São João com a Vila Arens, parei a minha MacLaren para melhor observar o 'smog" sobre a cidade. Cadê a serra do Japi em contorno da linha do horizonte da cidade?  Virei-me pro lado esquerdo e...

... cadê o Morro do Murça? Perdemos nossos horizontes?
Aquele foi um dia em que Maísbela perdeu o horizonte.* 

A primeira semana de setembro foi mais clara. Voltei para aquele viaduto e tirei fotos para se comparar com as do efeito 'smog".

A Serra do Japi ao fundo.

O Morro do Murça ao fundo.

Eu e a McLaren.

* Maísbela: Postagem de 8 de julho de 2010.

Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pata de vaca


Madrugada de 27 ou 28/08/2010. Tudo, tudo estava parado. Silêncio absoluto. Eu estava no meio da casa, imóvel no escuro, e em lugar algum. Não fazia sentido dar um passo pra lá ou para cá. Não havia o dentro ou o fora, só o nada. Nada a abstrair.

O nada não é um sentimento ou uma sensação, nem a ausência de pensamento ou de imagens mentais, é apenas o nada vezes nada, nem o tempo se transcorre nele.

Se o nada me incomodasse, talvez eu prosseguisse em meu caminho ao pote de água, depois ligaria o fogo para  um café, e em busca da lua eu subiria ao terraço com a xícara nas mãos. Ao voltar, abriria as janelas da casa pra renovar o ar e talvez regasse as plantas ao som da música de Shubert, por exemplo.

Enfim, como vivo em permanente vontade criativa, e ela não estava comigo, perguntei-me, de sobressalto, se o Belo havia se apartado de mim, o que significaria uma espécie de morte, e ouvi o vento arrastando uma folha seca contra a calçada do outro lado rua. Eu sabia. Era uma pata de vaca retorcida pelo tempo, e que resistia ao assopro invernal se agarrando ao chão com suas pontas aduncas.

Depois de tomar água, liguei o fogo para o café. Quando a água começou a roncar na caneca, eu rascunhei num papel que “O inverno espectral está de partida. A primavera, ainda velada, apronta o broto. O Belo canta a morte e também a vida.”

No terraço, tomei café sob a luz prata da lua decrescente. Desci-o e passei reto do rascunho. Enquanto o note estava sendo ligado, voltei-me à escrita e... “A primavera está compreendida no inverno. Pólos de uma só energia. O nada é um campo de força”.

Foi Chopin que me veio à mão. Coloquei o “cd” para rodar e voltei ao lápis e papel. “O Todo em cada verso é música e não um poema, um poema sinfônico. Pura Poesia.”

Finalmente, ccm o computador ligado, abri o editor de texto. Na página em branco (o nada), finalmente a consecução da prática criativa. A madrugada, o nada, a folha seca sendo arrastada pelo vento na calçada, os preâmbulos sonambulicos, o café sob a luz prata... Chopin.... agora, a composição´poética.

Sem nada saber, e apenas com a certeza absoluta da criação artística, com as mãos paradas sobre o teclado, pensava em procurar, à luz do dia, a incidental folha seca para fotografá-la e juntá-la aos versos a compor. No final da tarde, depois de ver centenas delas, encontrei uma que se integrava tão perfeitamente àquela madrugada, ao  poemeto então composto, que mais uma vez me vi só como um instrumento.

Folha seca
Oh, quero cantar,
e canto, canto co’a voz,
a voz que canta em mim

Terminado o rascunhão do texto daquela madrugada, novo incidente: uma mariposa inteiramente preta entrou pela janela. Novo tema para nova postagem que há de vir.

A árvore (pata-de-vaca) em foto no fim de tarde, e tirada do terraço da minha casa


Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Parados na estação

Mais fotos e um pouco de história no endereço:
(esta postagem é em razão da anterior
"Flores e cores da relva")

       Há muito tempo li um estudo sócio-paleo-antropológico (não me lembro a fonte) sobre o processo evolutivo do homem primitivo e a sua atenta forma de se auto preservar, e se hoje aqui estamos, deve-se ao êxito dele nisto. Aquele homem levava mil anos para implementar um novo procedimento. Só dava um passo adiante depois de conhecer muito bem o passo anterior. Em tudo o que fazia reconhecia o processo (início, meio e fim), e toda a coletividade ganhava com isto.
       Nos dias de hoje, o homem moderno, egoísta como nunca, perdeu o timão de sua nau e, às cegas, a tudo atropela, egoisticamente. Em alta velocidade de tempo avança para a morte e não para a vida.
       Afinal, quem é mais primitivo, o "homo sapiens" de ontem ou o "homo burriens burriens" de hoje?
 
Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 22 de agosto de 2010

Flores e cores da relva


       Cruzando a linha do trem em meu caminho de volta para casa, deparei-me com as cores do entardecer vestindo a relva a contornar a orla da linha férrea como uma delicada renda. 

       Parado diante daquela vista que vinha para ficar comigo, lembrei-me de anos atrás quando fui buscar meu filho Yung na saída do jardim da infância só para voltarmos pelas margens da linha do trem. Ele, um toquinho de gente, e que corria, corria sem parar pela mesma relva em cores brilhantes. Deixei-o distanciar-se de mim só para que a experiência ficasse livre para ele.


       Desta vez eu estava com uma câmera digital presa à cinta, mas sabia que nenhum recurso fotográfico reproduziria os sentimentos que aquela imagem evocava em mim.

       Tirar fotos dali foi um privilégio, pois o acesso, segundo informações obtidas com funcionários da MRS no barracão de abastecimento de locomotivas a diesel, toda extensão da linha férrea, de Jundiaí a Rio Grande da Serra, está sendo interdito a pedestre através da instalação de cercas em suas margens. Disseram-me que o sangue de pequenos animais atropelados danifica o maquinário sob os vagões.
       
Liguei pra estação ferroviária. Informaram-me que as cercas se deviam a inúmeros acidentes por invasão de domínio e que geram altos custos com indenizações. Imagino eu que, alguns destes, provocados por pessoas desesperadas e em busca de auxílio-invalidez, mas em número não maior que zero vírgula zero alguma coisa.


- Afora isto, PôXA! será se municípios e governo do estado ao lado de técnicos da MRS e CPTM não teriam soluções integradas e em especial atenção à muita gente que precisa cortar caminho pela linha do trem? Uma cerca aqui, uma passarela ali, placas de sinalização, sinais automáticos de advertência sonora e assim por diante? Afinal, é só por a cabeça para pensar.

Definitivamente,
atravessar a linha do trem é uma necessidade inconteste a pedestres. Cercá-la é deixar que estes se danem pela extensão dos longos contornos à pé, muitas vezes sob sol e chuva. E também que se danem com o tempo gasto somado ao custo de transporte urbano, custo este que é debitado do que se põem à mesa para comer ou de remédios que se tenha de comprar. E vejam só, estamos em época de eleições e os politiqueiros e espertalhões de plantão estão por todo canto à caça de voto. Alguém acredita que os tais representantes do povo ponham atenção neste particular de sofrimento e dor. E olha que estamos falando de velhinhos, mulheres com criança no colo, gente doente, outras com fome e etecétera e tal. A propósito, estou cansado de ver a risadinha dos políticos em banners emporcalhando o visual das ruas da cidade. Meu voto irá para aquele que tiver a vergonha estampada na foto.

Espaços urbanos como o da linha do trem (desde 1867), estão carregados de sentimentos. São estes espaços que formatam o psiquismo do cidadão e que não só merecem como devem ser respeitados.



       No site da CPTM, vi que a tal companhia atende a 89 estações num total de 22 municípios, ao longo de seus 260,8 quilômetros de linhas operacionais.  Considerando as duas margens da linha férrea, dá pra imaginar 420 km de cerca? Possivelmente a maior cerca de ferro do mundo e um negócio da China. Quantas toneladas deste metal e solda foram gastos? e o rio de tinta, ou quantos metros cúbicos de comporta? E mais, quantos carros fortes precisariam para enchê-lo do gasto representado por dinheiro em papel? e, finalmente, nesta república do "abra-te Sézamo" porque não desconfiar de quantas cuecas fortes se precisou para trasladar o que escapou pelo ladrão? Ai se a moda pega pela extensão continental de nosso país retalhado por ferrovias!!!

O dinheiro gerado por todas as cidades constantes neste esquema metropolitano de linhas férreas é o maior do continente latino-americano, e merece investimentos mais inteligentes, honestos e humanizantes. Que saudades de um Mário Covas!

Não acho honesto alguém ser atraopelado pelo trem e a MRS e a CPTM se auto-eximir da indenização e, como Pilatos, também da culpa sob a alegação de que fizeram a cerca preventiva, entrementes, se esta ação se deveu-se à nobre intenção de se preservar vidas, então, que também as rodovias intermunicipais e estaduais sejam cercadas. Diz um axioma popular que "a burrice não tem tamanho", mas tem, ela vai, neste caso e até onde sei, de Jundiaí a Rio Grande da Serra.

Vejam a minha postagem de segunda-feira, 16 de agosto, para se entender o resto deste manifesto de fundo essencialmente poético, e que ele possa cumprir o seu fim útil. A questão é que por estas plagas ainda não alcançamos o patamar do que se pode chamar de civilização humana, ou pelo menos até quando tivermos mais construtores de cercas que construtores de uma nação.

 Jairo Ramos Toffanetto 

terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O motivo das "Eleições 2010"

(Imagem e texto acima extraídos da Internet)

Eça de Queirós (1845-1900) -  Romancista e contista luso.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Lá em casa

Lá em casa... "Todo mundo canta. Todo mundo dança. Todo mundo samba. E ninguém se cansa." (Martinho da Vila)

Em um sábado à noite, meus filhos Yuri (19) e Yung (15) com o Vinícius (16).

Lá em casa... todo mundo brinca.


Eu não resisto a coceira de invadir o espaço deles para uma boa foto. Eles só me chamam quando querem jogar truco, e eu vou para ajudá-los a garantir uma boa farra.

Entendo que o lúdico deve ser cultivado de forma natural na vida da criança e do adulto. Valorizar a brincadeira e a inteiração social desenvolvem hábitos e atitudes construtivas, exercitam a criatividade e a imaginação.

Ao longo de minha vida profissional, e acompanhando o desenvolvimento das pessoas em redor, identifiquei que as melhores respostas ao trabalho são dadas por aqueles que cultivam algum hobbie ou prática totalmente diferente do que fazem em seu dia-a-dia profissional.

Enfim, esta postagem está na razão da anterior "Empresas fazendo a diferença" (Parte 1)

Jairo Ramos Toffanetto