quinta-feira, 11 de setembro de 2014

LISZT - Liebestraum (cello and piano)


 
 Liszt
 

A História do Ipê Amarelo (JRT)

FotoJRToffanetto


Manhã azul de domingo. Fui à feira daqui do bairro com M.a Regina. A Vila Progresso está linda. O Ipê amarelo tomou boa parte de suas ruas e de todos nós. Dádiva da beleza, da alegria. 

- Fotografe, Jairo, exclamou minha mulher. Fotografe. As flores vão caindo,

caindo...  

despedindo-se da gente. 

As calçadas, as frentes das casas ficam lindas. Ficam feias as pessoas que as varrem. Pode-se não reconhecer a poética das flores mas... jogá-las no lixo? Poesia ainda viva, sufocada em sacos plásticos ou misturadas com restos de comida e de papel não higiênico dos banheiros?

Aqueles que assim fazem não serão sectários do “Coisa Ruim”, ou melhor: da inconsciência ruim que pesa sobre o planeta? Gostam de ver a poesia no alto das árvores, mas bem longe da frente das suas casas. Mas, ah se soubessem “A história do Ipê Amarelo”..., pois eu a conto:

O Planeta Verde, por milênios buscando evoluir para além de si mesmo, finalmente alcançou a flor, a perfeição, a beleza. Gerou algo maior que si mesmo para, em agradecimento à graça da vida, oferecer-se à Luz como flor. E os deuses, comovidos, exclamaram:

- Eis a perfeição.

Os poetas batizaram tais árvores de ipê amarelo, rosa, branco , roxo... Só não sabiam que de cada folha caída ao chão transforma-se num anjo que varre a sujeira da mente humana, mantendo-nos, pois, em equilíbrio,

... e também explica o fato da loucura dos dias de hoje. Temos menos poesia na terra e menos anjos no céu para nos acompanhar e ajudar, e assim ficamos cada vez mais perdidos. A Regina, eu, o Rubem Alves, e tantos outros...

 ...somos um destes perdidos

...perdidos de amor pelo Ipê Amarelo

... rosa, branco, roxo...
JRToffanetto

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O diabo e o tamanho do seu rabo.


Ficaram várias chaminés pela cidade.
FotoJRToffanetto
Da primeira década do século XX, a Tecelagem Japi foi sendo demolida de forma a não ser tombada pelo patrimônio histórico. Subsistiu a chaminé.  Ela faz as pessoas olharem pro céu através do tempo? Talvez as crianças, somente. A "fábrica Japi" está em ruínas, menos o céu. Ainda que seja um céu ozônico - pobre da terra, pobre de nós - tem a idade do planeta. Soçobraram as estrelas do céu, bem menos da metade que podiam ser vistas. A visão delas foi encurtada. Expulsos os vagalumes... quase a totalidade das joaninhas... Parece que se tem vocação por escombros e arranha-céus. Vive-se quais formigas antenadas em buracos entupidos acima do chão, ou em buracos móveis travados, de alarme ligado, escurecidos por vidros fumês à luminosidade do dia, às cores do dia, fechados aos ares da manhã, sem vento no rosto, sem tempo para o olhar, ou só para espiá-lo de longe, sem envolvimento, sem o sentir. Espiar... olhares de assalto, olhares não construídos, não sentidos, olhares escombros. Mas, enfim, ficaram as decorativas chaminés que já não lançam nossas fumaças no ar. Mas na aparente inatividade delas, incinera-se o sentimento do belo, o perpassar da eternidade, a vocação das estrelas. Vivemos no tempo do maior estrago da humanidade. A fumaça do homem estragado não vai ao céu, mas pra dentro da terra. Transformar-se-á em gás metano. Pois ele trocou a pureza pelo enxofre, sua materia prima. Enxofre é tudo que o diabo mais gosta. Vive-se, pois, o diabo - o rabudo. Ouvi dizer que o rabo do diabão é do tamano da chaminé Japi. (JRToffanetto)

Haicai #162- Versos de sol (JRT)

  FotosJRToffanetto





Haicai #162.

 

Pássaros laboram

seus ninhos cantando

versos de sol

 

 

 

JRToffanetto

 

 

terça-feira, 9 de setembro de 2014