quarta-feira, 3 de setembro de 2014

M4H09248 e M4H09249 - Pequenos filmes minimalistas de JRToffanetto

 
- FotoJRT em 01.09.2014
(céu do dia anterior)
- M4H09248 e M4H09249 
Pequenos filmes minimalistas de JRToffanetto
Filmagens em 02.09.2014, em Jundiaí-SP às 23:38 h,
por Jairo Ramos Toffanetto 
 




 
 

STEVE REICH: THREE MOVEMENTS FOR ORCHESTRA


 
 
Steve Reich é considerado um dos mais importantes compositores da música minimalista e da música modalista. Wikipédia
 
 
 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

“POESIA DÁ BRIGA EM VILA ARENS” (JRToffanetto)

(História ficcional mas... bem a propósito)




Certo que muitas histórias lindas e de valor inestimável para a evolução da humanidade estão ocorrendo a cada instante, espontaneamente, na simplicidade do eu natural, por aqui mesmo, lá Cochinchina...

Pergunto-me o que fazemos diante dos jornais, da televisão, da internet? Assistir carrascos encapuzados executando inocentes na Palestina, no Iraque, ou por aqui, no meio da rua a troco de banalidade?

Todo mundo sabe destas histórias e se você alega desconhecimento te perguntam em que mundo você vive. Respondo-lhes que vivo num mundo bem melhor que o destas histórias de arrepiar.

Hoje mesmo, na fila do supermercado, quieto comigo mesmo, convidaram-me para se juntar à indignação diante do episódio em Porto Alegre aonde um Pai matou o filho, uma criança.

Pra mim, são conversas, histórias pra boi dormir. Procurando desconversá-los, a propósito de uma leitura recente, perguntei se algum deles tinham lido o  poema “A Pavorosa Ilusão” de Bocage.

- Ah tá, poesia, né?

Respondi à ironia do desprezo para com os poetas:

- Não creio que ela seja do meu entendimento por poesia, mas um belo poema lírico, isto sim, e de tantas verdades desnudas que...

- Ce tá brincando... esta coisa de poesia está fora da realidade. Coisa de “larai”.

- O contrário é que é o verdadeiro. Leia  o poema de Bocage que te recomendei, quem sabe lhe sirva pra alguma coisa.

Ficaram pasmos. Um deles bufou como a se segurar para não avançar contra mim, mas um outro desconversou perguntando dos jogos do campeonato brasileiro para a quarta-feira e todos se voltaram para ele e, finalmente, esqueceram-se de mim.

Mas... ah se me perguntassem sobre  “A Pavorosa Ilusão”. .. Não que eu esperasse por isto, magina!.. Dissessem-me um simples “porque?” e eu lhes teria respondido:

- Olha, se o poema de Bocage foi bom para a doce Marília, quem sabe possa ser bom para vocês também.

Naturalmente não fizeram a tal pergunta, pois certamente teríamos virado notícia de jornal. Já imaginaram uma manchete assim:

“CRIME EM PORTO ALEGRE X POEMA DE BOCAGE LEVAM VALENTÕES PARA A DELEGACIA DE POLÍCIA” ou “POESIA DÁ BRIGA EM VILA ARENS”

Duzentos anos depois da morte de Bocage... Na internet haveriam ensaios com os mais variados títulos:  

“BOCAGE E SANGUE”, ou “AINDA BOCAGE, DOA A QUEM DOER”, ou “BOCAGE POR BOBAGEM”, ou ainda “BRIGA POR CAUSA DA MARÍLIA DO POETA LUSO”.

JRToffanetto

 

Krijn De Koning - A construção do olhar

A construção do olhar em Krijn De Koning vai além dos sentidos comuns, levando ao olhar desprevenido uma festa de cores em abertura de espaços convidativos à penetração. Degraus, abertura a luzes transversas, o assento integrado à arte degustação, a entrada em um mundo factível de infinitas possibilidades. Enfim, a transcendência do tridimensional dos sentidos comuns, da realidade palpável, abrindo o estreito do nervo óptico comum ao juízo de gosto estético. Viva Krijn  (JRToffanetto) 

Krijn de Koning

° 1.963, Amsterdam (NL), vive e trabalha em Amsterdam (NL) ra

Krijn de Koning cria instalações que afetam ambientes específicos e tornam-se, simultaneamente, parte integrante neles. Espaço e cor tomar lugar central em suas arquitetônicas, estruturas labirínticas. Toda a sua obra pode ser vista como uma investigação visual sobre a natureza da realidade construída que nos rodeia. Seu trabalho mostra que, muitas vezes, é muito mais fluida e flexível, oferecendo mais possibilidades, do que pensamos. http://www.uniehasseltgenk.be/en/krijn-de-koning/











 
 








 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bocage "A Pavorosa Illusão"


NOTA: Texto na versão original
Continuação

Manuel Maria Barbosa du Bocage
A Pavorosa Illusão
Epístola
 
«Já corre, já vozeia, já diffunde
Pelos brutos attonitos sequazes
A peste do implacavel fanatismo.
Armam-se, investem, rugem, ferem, matam.
Que sanha, que furor, que atrocidade!
Foge dos corações a natureza.
Os consortes, os paes, as mães, os filhos,
Em honra do seu Deus consagram, tingem
Abominosas mãos no parricidio.
Os campos de cadaveres se alastram;
Susurra pela terra o sangue em rios.
Ah! barbaro impostor, monstro sedento
De crimes, de ais, de lagrimas, d'estragos,
Serêna o phrenesi, reprime as garras,
E a torrente de horrores que derramas
Para fundar o imperio dos tyrannos,
Para deixar-lhe o feio e duro exemplo
D'opprimir seus iguaes com ferreo jugo.
 
Mais de "A Pavorosa Illusão":
 Biografia do poeta português
 
Bocage shoes
 

"Lumiar" - Beto Guedes


 
 
Lumiar - Beto Guedes
 
Anda, vem jantar
Vem comer, vem beber, farrear
Até chegar Lumiar
E depois deitar no sereno
Só pra poder dormir e sonhar
Pra passar a noite
Caçando sapo, contando caso
De como deve ser Lumiar
Acordar, Lumiar, sem chorar
Sem falar, sem querer
Acordar em lumiar
Levantar e fazer café
Só pra sair caçar e pescar
E passar o dia
Moendo cana, caçando lua
Clarear de vez Lumiar
Amor, Lumiar
Pra viver, pra gostar
Pra chover, pra tratar de vadiar
Descansar os olhos, olhar e ver e respirar
Só pra não ver o tempo passar
Pra passar o tempo
Até chover, até lembrar
De como deve ser Lumiar
Anda, vem jantar
Vem dormir, vem sonhar, pra viver
Até chegar em Lumiar
Estender o sol na varanda até queimar
Só pra não ter mais nada a perder
Pra perder o medo, mudar de céu, mudar de ar
Clarear de vez Lumiar
 

Fátima Guedes - Cheiro de mato






O disco "Muito Prazer" de Fátima Guedes traduz o início da década de oitenta. É um "cult", um grande cult. Enfim, após tanto rock and roll, havia uma moçada esperta, atenta, que não deixara de apurar seus sentidos, e que amavam se encontrar pelo gosto do bem viver, da música instrumental brasileira e do mundo. Diferentemente do Carpie Diem de hoje, tinham no "muito prazer" um estilo de vida próprio, individual. Mas a vida cuidou de dispersar-nos. Faltavam-nos base filosófica mais sólida. O epicurismo, afinal, não se bastava em si. Ficaram os discos e, felizmente, Fátima Guedes. (JRT)

"...Eu sou feliz
só por ser de manhã
manhã manhã manhã
..."


Composição de Fátima Guedes