sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A JARDINEIRA (Marchinha de Carnaval) com Orlando Silva



Quando "A Jardineira" despontou como uma das favoritas para o carnaval de 39, apareceram na imprensa reportagens contestando a autoria de Benedito Lacerda e Humberto Porto. Na verdade, "A Jardineira" é um antigo tema popular, originário da Bahia, que os dois adaptaram para lançar como ...(Link)

A JARDINEIRA
Benedito Lacerda-Humberto Porto, 1938

Ó jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira vem meu amor
Não fiques triste que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu

Orlando Silva, "o cantor das multidões"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Haicai Op. 507

Um haicai à espera de abrir asas:
- Hay, Joaninha, vai!!!
Foto extraída da Internet














Jairo Ramos Toffanetto

MAMÃE EU QUERO (com Carmem Miranda) e Aurora (com Mário Lago)

Cena do filme americano "Down Argentine Way", com cenas passadas em diferentes paises, onde a brilhante cantora Carmen Miranda canta o conhecidíssimo single "Mamãe Eu Quero".
 
MAMÃE EU QUERO
Composição deJararaca-Vicente Paiva, 1936
Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebe não chorar

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira e vem entrá pro meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Olho as pequenas mas daquele jeito
Tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

AURORA
Composição de Mário Lago, 1940
Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

1) Telescópio Hubble capta galáxia mais brilhante descoberta até agora; 2) Sem espaço nada cabe; 3) Família da classe dos Cestóides

1) Nasa (agência espacial americana) informou que "esta observação proporciona uma oportunidade única para o estudo das propriedades físicas de uma galáxia que formava, de maneira vigorosa, estrelas quando o universo tinha apenas um terço de sua idade atual". Enquanto as galáxias mais próximas à Terra estão plenamente maduras e se aproximam do fim de sua história como criadouro de estrelas, as galáxias mais distantes proporcionam testemunho dos tempos de formação do universo.
Jane Rigby e sua equipe de astrônomos no Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa em Greenbelt, Maryland, apontaram o telescópio Hubble em direção a um dos exemplos mais notáveis de lente gravitacional, um arco de luz de quase 90 graus no conjunto galático RCS2 032727-132623. (Foto Nasa)

Veja na íntegra a matéria no Yahoo:
http://br.noticias.yahoo.com/telesc%c3%b3pio-hubble-capta-gal%c3%a1xia-brilhante-descoberta-agora-211604374.html

2) O brilho das estrelas na mocidade do cosmo brilhando em nossos olhos... É tempo do não tempo, do espaço para além da ilimitada extensão tridimencional. Há luz em nossas profundidades ainda ocultas à espera de integração. Sem espaço nada cabe. A Grandiosidade está em nós desde a flor da pele. Na gota dágua está o oceano. As lentes do telescópio Hubble olham para dentro de nós. No micro está o macro e vice-versa.

3) Somos pura energia, fluído sideral, neurônios do Criador, mas parasitas intestinais querem alcançar a mente. Nosso planeta está com as tripas entupidas. Cuidado com o que entra pela boca para que você não acabe falando como uma tênia, um verme da classe dos Cestóides.

Jairo Ramos Toffanetto

"Só danço Samba" (Stan Getz e João Gilberto) vai vai vai vai vai

Composição de Tom Jobim e de Vinícius de Moraes.É a primeira composição de bossa nova que faz referência explícita ao ato de dançar. O registo abaixo é de 1963.

vai vai vai vai vai

Quem decola de um céu como o desta foto (da Internet) não levanta vôo.
Imagino uma sacada nos aeroportos onde passageiros aguardam o sol levante enquanto tomando café em mesinhas com cadeiras almofadadas. Os aviões só levantam vôo depois que o sol se ergue a dois dedos acima da linha do horizonte. Um dia será assim: em todos os aeroportos haverão sacadas para os horizontes leste e oeste, mas...

... os dias de hoje tem pressa. Dias, horas e minutos são esperados e contados, das calçadas para o ponto de ônibus, das ruas e avenidas às estradas e aeroportos, sempre em permanente agitação. Todo mundo correndo para tirar o pai da forca. Todos os demais sentidos para com a vida ficam linha abaixo, passados por cima. Os que caminham linha acima são depreciados como subjetivos, tidos como defeituosos, fora da linha de fabricação em massa.

Quem vive correndo gasta motor mais rápido. Correm correm para a morte. Acho que é por isto que quando são obrigados parar em fila reclamam de tudo. Quem vive para a morte reclama da vida. Enfim, expressam uma vida sem a leveza das manhãs cheias de vida. É preciso ter samba nos pés para caminhar dar o ritmo ao compasso da vida. Gosto de sambar com passos miudinhos. Coreografias é para grandes enredos na avenida, e só no carnaval.

Enfim, no passo do samba, o campo de visão do sambista é de trezentos e sessenta graus de ginga, de molejo na escadera. Nada acaba em "pitsa" (pizza), tudo dá samba, como no "Samba do Avião", um "Samba da Benção". Quando a mim:
Só danço samba
Só danço samba, vai
Só danço samba
Só danço samba...
VAI

Jairo Ramos Toffanetto

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lua Bela ou... problemas técnicos.

A Lua cheia esteve estupenda neste noite de verão, especialmente bela.Sonhadora entre as nuvens aclareadas por ela. Evocadoramente poética a todos que olhassem para ela. Um fenômeno luminoso. Belíssima. As estrelas que nos espaços vazios compunham o belo, elevavam o sentimento de admiração para a eternidade. Não há como deixar de se ver e de se pulverizar ante a loganimidade da Criação.

Todos que viram despertar estes sentimentos podem se chamados de poetas. Segundo Vico, filólogo e filósofo renascentista, "poetas são aqueles que dão nome às coisas".

Desde o berço venho mostrando a Lua pors meus meninos, o Sol, as nuvens, o crepúsculo, e assim por diante.

Imagino um pai tirando a família do "Fantástico" (programa de televisão) e a chamando para ver a Lua.

- Venham ver a Lua, gente.
E com todo mundo se dirigindo para ele, alguém diria uma advetivação poérica::
- Ela está linda.

É possível que ninguém lhe respondesse. Então ele lhes instaria, assim:
- A Lua está um sonho. Corram pra ver. Não dá para perder.
Só o silêncio lhe responde.
- A Lua cheia, gente. Corram prá ver, insiste ele.
E uma vozinha miúda lhe responde lá de dentro.
- Pai, começou  o BBB (Big Brother Brasil), não dá pra perder.
Isto é o fim do mundo e tem gente que ainda não acredita. Aliás, só acreditrarão se passar na televisão.

Ainda bem que em casa ninguém perde tempo com televisão, e posso dizer que aqui ela não passa, como nos tempos do meu velho e bom pai, de um simples eletrodoméstico. Serve mais pra jogo de futebol do que pra qualquer outra coisa. Aliás, como predisse na postagem da manhã de ontem, o "Periquito", de fato, fritou o "Peixe". Fora isso, a TV de casa quase nada mais pega, digamos que por problema técnicos.

A Regina me conta que o pai dela, entre oito e nove horas da noite, desligava a televisão dizendo pra todos:
- Ela já deu o que tinha que dar.

A televisão prende a atenção. O que prende não tem nada para dar. "É, mas ela distrai a gente", racionalizaria alguém. Distração é tirar a atração para o que realmente importa. Se nada importa, qualquer coisa pega. As pessoas estão sem um objetivo, as nações também. Os problemas se empilham e acabam em combustão expontânea. Aí elas ficam trabalhando no rescaldo, às vezes, pelo resto de suas vidas. Para estes, sugiro olharem  para o céu. Não pensem em nada, apenas olhem para o céu.

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"Avião a cada minuto - mui estranho" ou "Dia da Criação"


Céu de hoje na manhãzinha ao leste
Acordo com o ronco de um avião, mas prolongado demais. O que está acontecendo (interrogação). Levanto-me e vou para o terraço de casa. No meio do céu da madrugada escura, pouco antes da barra clara do dia, um boing ruma para o sentido sul, direção do aeroporto de Congonhas. Ao norte vejo um outro abrindo luz. Conto até oitenta e três e este último passa ao meio do céu - o ponto de referência é a antena parabólica do vizinho - e, ao norte, há um outro apontando. Desço para fazer o café e vejo o relógio da cozinha marcando 05:15 h. Fico atento aos roncos no céu. Volto com xícara nas mãos, maço de cigarros e isqueiro. A barra clara do dia já estava presente. Ouço um pombo arrulhando. Até às 06:05 h, os aviões passaram ao meio do céu com intervalos entre noventa a cento e vinte e três segundos.

Todos estes aviões por uma única rota, nenhum pra Cumbica, p. ex., ou pra Viracopos em sentido contrário. Média de trinta a trinta e cinco aviões desde o momento em que acordei é de se perguntar, especialmente por ser domingo. A propósito, dia do clássico Palmeiras e Santos. Sorrio ao imaginar que estes aviões estavam indo pra São Paulo ver o periquito do Parque Antártica fritando peixe da Vila Belmiro. Lembro-me também que o Paulista F.C., time da minha cidade, acordando na liderança do campeonato paulista, e à frente de nada menos que Corinthians e São Paulo. Enfim, apesar do meu sorrir por estas ocorrências futebolísticas, como os aviões vinham do sentido de Brasília, gerou-me um questionamento nada agradável. "Ué, o trem da alegria palaciana em turismo interno", exclamei. Não seria nada agradável pensar em algo mais sério, tenso, apreensivo, entrementes, em que pese os dias de hoje, tudo de tudo pode estar acontecendo, afinal, há uma grande porcaria no mundo aí fora. Assim. recuso-me abrir a Internet para uma sapeada pelas últimas notícias. Não acredito neste mundo que aí está. Em qualquer página, no topo, veria fotos do BBB - Big Brother Brasil. Dá-me nojo em saber que uma nação é mobilizada pela mídia tão burra e inconsequente como. O globo cresce na desordem e no progresso de tudo que é escroto. Seja o que for, de uma forma ou de outra chega aos meus ouvidos, afinal, notícias de um mundo bem pior correm rápido. Prefiro os dois cds que não paro de ouvir, aliás escrevo esta postagem ouvindo-os: "The Maker" e "Foot Prints" de Pat Martino, um jazz lascado, de primeira linha, e que fica ainda mais primoroso quando nele se evoca a Bossa Nova.

Voltando para o avião, o que me causou espécie foi o de vê-los como a emigração das aves fora do período. Quando assim, elas sempre anunciam alguma tempestade, alguma catástrofe por vir, mas apaguei a cena, afinal, chega de catástrofes. Breganharia-nas pelo trem da alegria, afinal "tá todo mundo louco, obá!! Ainda bem que não tenho este poder, pois seja o que Deus quiser, afinal, a aurora apresentou-se leve e tão formosa. Até a consumação dos tempos, ainda estamos no Dia da Criação.

Jairo Ramos Toffanetto